Ricardo Moraleida August 17th, 2006
Pois é… depois de flertar com a idéia na despedia da Pri na segunda-feira e conversando ontem com a Carol, resolvi que ia mesmo voltar a me aventurar na internet… Mesmo depois de ter jurado não mais tentar… Mas quem se importa com o que eu jurei pra mim mesmo né?? hehe…
Resolvi que ia escrever um blog e que ia ter como ponto de partida as pessoas, as coisas e as situações que eu vejo nos 4 ônibus que eu pego todos os dias, mas que o blog estaria assim, digamos, aberto a contribuições de outras partes do meu cotidiano. Passei o dia pensando sobre que diabos eu poderia escrever já que todas as bizarrices que eu vejo todo dia já se tornaram comuns pra mim.
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E é aí que entra meu último ônibus de hoje. Depois de 50min dentro do terceiro, desci no ponto e o outro já estava lá: que felicidade quando isso acontece, não? Nada de esperas, nada de ficar na rua de bobeira olhando pro nada e esperando aparecer aquela nave azul brilhante com setinhas também azuis e curvilíneas nas laterais. (Há que se dizer: o povo do BHBus é bom de marketing mesmo… só de chamar BHBus e não BHÔnibus já dá outro status pra coisa…) - mas divago.
Entrei e, como sempre, dei aquela scaneada básica nas pessoas pra sacar os melhores lugares pra se ficar em pé sem incomodar ou ser incomodado por alguém. Normalmente o melhor lugar é a roleta, onde existe uma linha imaginária que separa quem está dentro e quem está fora do seu raio e que, fora os embarques e desembarques, é quase sempre o lugar mais livre do ônibus. Bem, estava eu parado na roleta quando de repente me chega um estranho e invade o tal espaço imaginário. Literalmente colou em mim com aquela ânsia de quem quer passar logo pra descer no próximo ponto. Eu já pensei: “pô, podia ter passado antes né? Os lugares da frente são reservados…” Mas me abstive de falar qualquer coisa… Ainda estava pagando e dei um jeito de passar o quanto antes, com a carteira ainda na mão, cedendo o espaço reservado na roleta para o apressado. Me encostei na barra, pra terminar de guardar a carteira na bolsa e ajustar o volume do discman, porque ônibus sem música é o fim da picada… De repente, um cutucão. E outro, e outros aumentando a velocidade. O sujeito ainda não tinha passado… putz… Bom saí de perto da roleta e fui andando em direção ao fundo do ônibus: “dá licença?, com licença?” aquela gentileza urbana básica. E quando já tava me acomodando mais ou menos no centro do veículo, vi lá no fundo 2 lugares vazios. “Com tanta gente em pé, 2 lugares vazios? Tem alguma coisa estranha…” Resolvi ir conferir. E não é que quando eu tava pedindo licenças de novo o sujeito me cutuca de novo. “P****, vc não desceu ainda?”, penso. Mas simplesmente saio na frente andando, e o sujeito atrás de mim. Cheguei, olhei e nada. Acho que era sorte mesmo. Sentei na última cadeira do ônibus, em cima do motor, na janela. E o sujeito vem e senta do meu lado…
A essa altura eu já tava indignado. E eu não sou de ficar indignado. Me concentrei na música e vamos seguindo viagem. Faltam só uns 15min pra eu chegar em casa… De repente o distinto rapaz, que tava carregando uma pasta de curso, tira de dentro uma folha com aqueles gabaritos de prova de concurso público e começa a rabiscar. Rabisca, rabisca, rabisca e eu nada de entender o que ele tava fazendo. “Será que tá praticando a assinatura? Não… tá meio velho pra isso. Será que ele é grafiteiro? Não, além de estar meio velho, grafiteiro escreve em folha branca e não em folha coalhada de outras coisas em vermelho. Será que tá psicografando alguma coisa? Não… melhor não…” o pensamento voou e eu não descobri o que era. Pra tentar saber, comecei a investigar a aparência do sujeito. Primeira coisa que eu notei: Camisa polo laranja, calça de tactel preta, mocassim preto e, tchanananam: meias esportivas brancas… Dei aquela estremecida: ele é office-boy. Mas nada grave. Até que eu vi a quase-barba não-feita, o rosto cheio de espinhas e a unha grande do mindinho da mão direita “o horror, o horror!!”. Cultivada com carinho e já com uns 3 centímetros…
Meu medidor de preconceito quebrou os recordes mundiais da categoria…
Cacilda. Como a gente é besta… vai ver o cara até um sujeito legal… Mas quem quer descobrir? (gancho pro meu próximo post, que deve sair amanhã…)
e a pergunta que não quer calar: “QUE PRESSA ERA ESSA MEU AMIGO??” eu hein…