Archive for the 'preconceitos' Category

vai pensando aí…

Ricardo Moraleida June 23rd, 2008

não é uma questão de SER contra ou a favor.

é uma questão de PODER ser contra ou a favor, sacou?

Quem tem medo do lobo-mau?

Ricardo Moraleida July 22nd, 2007

mugger_ipod.jpgEm meus 23 anos, 18 deles morando em uma cidade com 3 milhões de outras pessoas, me recordo de ter tido um boné furtado aos 11 anos, ter um relógio roubado aos 13, e ter sido abordado por um garoto que pedia meus vales-transporte, aos 20. Na última sexta-feira, havia 2 iPods - o grande símbolo que para uns divide os amantes da música entre “ricos” e “pobres” - ligados e à vista dentro do ônibus na volta para casa, em pleno horário de pico. Os donos ouviam suas músicas tranqüilamente, desceram calmamente em seus respectivos pontos e continuaram suas vidas, já que nada havia acontecido. O que aconteceu de errado?

Acredito que a resposta certa seja: nada.

Será que precisamos mesmo viver com esse medo crônico que nos faz viver escondidos atrás dos vidros e das bolsas, andar rápido e atentos para não sermos seguidos? Será que já não nos tornamos reféns do nosso próprio medo?

Essa semana essa questão me voltou à mente com algumas nuances que há algum tempo não me atormentavam, talvez desde que tomei a decisão de não ser mais esse refém. Note-se que não falo aqui de ser “descuidado”, e sim, de não viver atormentado pelo medo, não basear minhas atitudes no que “pode” acontecer “se” alguém um dia quiser um objeto meu.

Acho que tenho vivido melhor assim. Mais tranqüilo, com mais disposição para fazer bom uso do meu tempo e mais feliz. Mas sei que tenho me arriscado. Quando escolhi não viver com medo, escolhi, sempre que possível, correr um risco que talvez seja maior, mas muito mais valioso: confiar nas pessoas como eu gostaria que elas confiassem em mim.

Forçando a barra…

Ricardo Moraleida December 4th, 2006

Hoje à noite, na volta para casa, me peguei pensando em como a gente gosta de forçar a barra das coisas. Me veio, a princípio, como uma característica própria do brasileiro. No entanto, pelo meu total desconhecimento das culturas de outros países, não posso dizer assim que isso seja uma característica única nossa.

Mas se fosse, essa seria uma de que o brasileiro se ufanaria. Aliás, já o faz, mas por outro lado. O brasileiro é o dono do mundialmente famoso “jeitinho”, que uma vez me fez passar vergonha num evento internacional aqui em BH… caso para outro post.

O “forçar a barra” a que me refiro hoje é um pouco mais do que o uso do “jeitinho”. É toda uma categoria de comportamentos que envolvem usar desculpas para se passar por uma identidade que não se tem (ou se é), para ter uma atitude que não assumiria ou simplesmente para fugir da responsabilidade da aplicação do pensamento.

Exemplo nº1 ou: à la folie? pas du tout…

Ouço todos os dias a coluna “seus filhos” da Rosely Sayão na rádio Band News FM. Não por escolha, mas porque ela está na faixa de horário em que eu ouço a rádio (entre 6h30 e 7h35 da manhã, no trajeto casa/trabalho), e a coluna até que é muito boa. E na coluna de hoje ela falava sobre as viagens de comemoração de final do ensino médio e como essas viagens às vezes se tornam grandes pretextos para se “ir à forra”, “sair do normal” e “fazer besteira” com a desculpa de se livrar do “enorme peso” do Ensino Médio. —— Cá entre nós. Pode até ser que os alunos de escolas super-exigentes e de ponta precisem mesmo se despressurizar ao final da sua primeira jornada de 11 anos escolares. Mas será que é esse o caso dos nossos estudantes comuns do Ensino Médio? “Been there, done that”, diria o sábio. Compreendo, mas não concordo. Acho que a cultura poderia ser criada de forma diferente. Por que diabos a farra precisa ter a desculpa da despressurização? Só pra não carregarmos as culpas das maluquices cometidas? Isso, pra mim, é “forçar a barra”.

Exemplo nº2 ou: le malade imaginaire

A mesma Rosely dizia, há alguns dias, sobre o mito das crianças hiperativas. Sobre a diferença daquelas que realmente tem problemas clínicos diagnosticados como “hiperatividade” e aquelas que simplesmente fazem mais do que os que gostam de ficar o dia inteiro na frente da tv, do playstation ou do computador. O que me chamou a atenção nesse assunto era o exemplo da criança que ao ser chamada à atenção por estar fazendo bagunça, dizia: “não posso evitar, eu sou hiperativa”. —— Aprendeu desde cedo a “forçar a barra” para justificar seus atos. E assim acontecem com todas as coisas dessa chamada vida moderna: “não posso evitar, eu sou estressado / anoréxica / hipocondríaco / cleptomaníaco / etc”. Ora, não tapemos o sol com a peneira. Todas essas condições clínicas existem. Mas eu aposto meu salário contra o seu que menos da metade das pessoas que se declaram como tais são realmente portadoras das patologias em si.

Exemplo nº3 ou: la haine

Hoje mesmo, no mesmo ponto de ônibus que eu, estava um rapazinho que não passava dos 17 anos. Indumentária comum a qualquer adolescente e um grande sei-lá-o-que-de-pendurar-coisas no pescoço (parecido com esses cordões de crachás, mas beeem mais largo). Até aí, tudo bem… mas o negócio em volta do pescoço do rapaz tinha a nome de uma banda brasileira (o rappa?) e uma imitação do selinho de mau-comportamento que as bandas americanas adoram mostrar por aí. “Parental Advisory: Explicit Content”. —— Por alguns segundos, me perguntei que diabos aquele selo estadunidense (que pra mim é um grande símbolo de todo o falso-moralismo à là tradição/família/propriedade vivido nos EUA) tava fazendo no cordão de uma banda brasileira. Até que me bateu: se lá ele é usado como um simbolo de transgressão pelas bandas mal-comportadas, infelizmente, é natural que aqui ele seja copiado. Infelizmente porque a cópia simplesmente ignora o fato de que o Brasil não classifica suas músicas entre próprias e impróprias para as faixas etárias. Faz algo muito mais inteligente: deixa isso a cargo das famílias e pessoas com decisão de compra. Mas o brasileiro não. Força a barra pra se parecer com essa imbecilidade importada. Se a moda pega…

Exemplo nº4 ou: le placard

Hoje ainda ouvi no rádio um ótimo programa sobre o mercado publicitário que poderia muito bem ser chamado de “Comercial e Cia”. Mas os produtores quiseram que se chamasse “Comercial e Cia on radio“. Tá. Pra quê mesmo? Antes que me joguem pedras, eu sou o primeiro a defender alguns estrangeirismos que não tem ou simplesmente não precisam de tradução (empowerment, accountability, mouse, fax, marketing, etc), mas qual o objetivo de se trocar o “no rádio” por um pedante “on radio“? Ficar chique? Isso, pra mim, é forçar a barra. Como eu já disse, o programa é ótimo, mas tem um quadro chamado “Advertising Brasil”. Pelas barbas do profeta. Não podia ser “Propaganda Brasil”, “Publicidade Brasil”, “Marketing Brasil”?. —— Os publicitários, tão descolados, podiam passar sem essa, não? Se bem que são eles que criam aquelas aberrações do tipo: “é muuuuuuito fanta” ou “schrubbles” ou “fique bamboochaa”. I rest my case.

Forcei a barra? Talvez… mas é porque o errado sou eu… o BBB7 vem aí…

o perneta e o cerebreta…

Ricardo Moraleida October 19th, 2006

será que eu sou a única pessoa que se incomoda quando chamam ou referem-se ao lula pelo fato dele ter nove dedos?

Na boa, por maior que seja seu ódio do cara, precisa mesmo partir pra esse nível de argumentação? Como se isso fosse um defeito, como se o cara fosse menor, menos gente ou simplesmente como se isso tivesse alguma influência sobre a forma como ele conduz a própria vida?

Fico pensando se fosse com um cara tão admirado no país como o Lars Grael. Será que todo mundo ia se referir a ele como “aquele perneta”? Falta de educação, né? Nem parece que estamos falando da mesma coisa. Acho que posso propor um exercício melhor: da próxima vez que você vir uma pessoa com deficiência na rua, tente gritar pra ela:

“perneta! maneta! nove-dedos!”

e depois tente não se sentir um animal de circo, ok?

Note-se bem: eu não sou contra adjetivos, desde que mantenha-se uma coerência e um mínimo de educação. Vamos deixar uma coisa combinada: Não gostar que o cara se vista de vermelho e use barba é um direito seu. Se incomodar por ele ter nove dedos é um exemplo da pequenez do seu cérebro, ok?

Que fique bem claro, por favor: Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa!

[post-puto] As partes sem todo

Ricardo Moraleida August 27th, 2006

counter.jpgHoje eu fiz uma coisa execrável. Não conto o que foi, mas foi motivada por essa mania detestável de nós, seres humanos, considerarmos os outros como meras partes sem todo. Fulano é isso, ou aquilo, mas nunca o conjunto de todas essas coisas.

De todas essas mutilações, a que mais me deixa indignado é a mania que muito evangélicos têm de tratar a nós, ímpios, como meras almas perdidas ambulantes. Para estes (que sei, não são todos, mas representam uma bela parcela do protestantismo brasileiro) simplesmente não importa se você está bem no seu emprego, se está feliz, se está namorando, se vai comprar um carro, se tem projetos para o futuro, se faz alguma coisa pelas camadas mais pobres da população, se vai votar em PT ou PSDB, ou qualquer outra leviandade; eles só querem saber se você é “crente”. Enquanto você não passar para o lado deles, só isso importa. O resto só pode ser resolvido depois.

Enquanto isso, eu e as demais “almas sem corpo” que habitam esse planeta temos que aguentar as pregações e chatices desse povo que diz que jura de pé junto que nos ama como a eles próprios.

Depois dizem que as empresas é que nos tratam como meros números… Tá bom…

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