Archive for the 'política' Category

Como seria? Como será?

Ricardo Moraleida August 17th, 2008

Como será ter um candidato a prefeito?

Não um candidato qualquer. Um candidato mesmo, daqueles que a gente torçe pra ganhar e fica triste se perder? Naquele estilo das democracias onde os partidos realmente são diferentes, em que você torce pelo seu partido,  por suas crenças e sua ideologia como se fosse o time de futebol?

Esse ano eu, pela primeira vez, tenho um candidato que realmente quero que ganhe, uma candidata, na verdade. Pena que ela concorre em SP, não em BH. Mas quem sabe um dia.

Foi essa divagação sobre as diferenças internacionais que me fez perguntar: Será que o nosso sistema político, não só o partidário, mas o sistema como um todo, o mesmo que beneficia os acordões e que hoje ainda serve muito mais como poder particular do que público… será que ele tem jeito? Ou o jeito é jogar fora e começar de novo? Porque se for, sei lá… Tenho minhas dúvidas se quero estar aqui pra ver isso.

Nesse ponto, Moscou, Havana e Brasília tem muito em comum. São três cidades onde se tentou criar do zero um novo jeito de se viver, na base da canetada. Não deu certo. O documento do comunista Lúcio Costa começa com uma cruz, de quem marca um lugar a se possuir, assim como a Geórgia agora tenta fazer com a Ossétia do Sul: “é meu, e pronto”. Brasília e os estados que, livres do jugo da URSS, correram em direção ao capitalismo, entre eles a Geórgia, só mostram juntos que re-inventar a roda não é possível. Havana espera essa mesma chance há décadas.

A questão é que as coisas só mudam de verdade quando as pessoas que vivem (e não as que comandam) resolvem que essa mudança é válida. O que nos devolve à questão das eleições: É preciso admitir que não dá pra ficar esperando a resposta cair do céu, principalmente se for na forma de canetada. Pensa bem: o iluminismo, a revolução industrial, os direitos das mulheres, dos negros e das crianças. Todos foram ratificados por canetadas, mas em todos os casos, a mudança aconteceu antes, na cabeça das pessoas, e não no sentido inverso. Na contramão temos a Venezuela, a Bolívia, o Irã, a Geórgia e os três vértices da Praça dos Três Poderes vira e mexe querendo provocar mudanças na base da canetada.

Nesse caso, se a gente correr dessa situação, acelerando em direção ao futuro (como faz o pessoal da OCAS, o Dimenstein e tantos outros bons - mas ainda poucos - exemplos), o bicho ainda pega agora, mas aos pouquinhos vai cedendo na mordida. O problema todo é que se ficar, ele come mesmo.

A frase da semana é: “Se Brasília fosse um bom lugar, o Niemeyer não morava no Rio”. Ouvida da boca da Gisele, moradora da terra dos candangos.

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Há algumas semanas tenho juntado pensamentos para um novo post, que hora parece que é sobre eleições, oora sobre leis, ora sobre trânsito, ora sobre isso, oora sobre aquilo. Na verdade, só o que parece é que nunca vai sair da cabeça e cair no papel (ou no bloco de notas). Em resumo, desde o último post eu ganhei um aumento, de trabalho, conheci a Serra do Cipó e Conceição do Mato Dentro, revi Diamantina, me decepcionei com Milho Verde, mas adorei o Serro. Conheci Brasília e ainda não me recuperei. Me despedi da Lisa no mínimo pelos próximos 4 meses e isso doeu. Depois fui ao Museu da Língua Portuguesa em São Paulo e aprendi um bocado de coisas legais sobre a minha língua que, quanto mais aprendo as outras, mais me orgulho de ter nascido lusófono… :)

O pensamento que há mais tempo esperava pra cair no papel era esse do prmeiro parágrafo. Calhou de juntar com a visita a Brasília, que rendeu o resto do texto.

quem agüenta, bebe leite! quem não agüenta, anda de táxi.

Ricardo Moraleida July 5th, 2008

Tenho acompanhado com atenção difusa toda a polêmica em torno da injustamente chamada lei-seca (afinal de contas, como disse o Dimenstein, ela não é seca coisa nenhuma, e a comparação com a semelhante norte-americana é injusta).

Como recém-emancipado pedestre por opção, titulado em algumas várias noites de voltar pra casa depois de ingerir álcool, ainda no carro da mamãe, e recém-inserido no mundo dos tomadores de taxi compulsivos, acho que tenho algumas opiniões para colocar aqui.

A primeira é de que beber e dirigir não combina. Ponto. Todo mundo sabe disso, até eu, você e o dono do bar.

Claro que não vou me colocar aqui como o moralista da história. Eu, como tantos, nunca fui forte o suficiente pra abdicar do álcool por causa do volante - motivo pelo qual minha transição à vida de pedestre se deu razoavelmente baseada na sensatez. E eu, como tantos, sempre dei a mesma desculpa quando flagrado por alguém (nunca por um policial) nesta situação: eu não tinha bebido tanto - o que talvez possa ser provado pelo fato de que eu nunca causei um acidente estando alcoolizado, mas já causei dois estando perfeitamente sóbrio, culpa da inexperiência e da desatenção, respectivamente.

E aí entra o ponto desse artigo. O que é beber muito? Ou o que é beber o suficiente para preferir um taxi?

Tenho visto algumas comparações entre a lei brasileira e algumas outras européias ou estadunidenses, mas nenhuma que eu tenha visto ainda levou em consideração um fator cultural importantíssimo, percebido por mim nos 2 meses em que tenho vivido com meus roomates canadenses.

Tem a ver com o que eu vou chamar de “o jeito brasileiro de beber”. O “jeito brasileiro de beber” é, até onde eu sei, uma invenção dos povos latinos, quentes, sociais. E esse “jeito”, como qualquer característica cultural, tem suas regras de funcionamento, dominadas automaticamente por qualquer nativo dessa cultura. No Brasil, beber é um ato social. Se falamos de cerveja, que é indiscutivelmente a preferência nacional, de norte a sul, beber é um ato de compartilhar. Mais ou menos como o “cachimbo da paz”, mas ao invés da erva (neste caso), usamos a bebida. Aqui, nós gostamos é de garrafas nem tão grandes como as chilenas ou uruguaias, de um litro, nem tão pequenas como as individualistas americanas e européias long-necks, que de tão longe da nossa cultura latina, ganharam espaço nos bares mas não conseguiram nem um nome aportuguesado. Combinadas com copos pequenos, as garrafas de 600ml compõem o cenário para uma troca cultural que termina no fim da noite com várias garrafas sobre a mesa, vários copos vazios ou meio-vazios, e ninguém sabendo quanto tomou. Afinal de contas, se vc tem 1 garrafa pra cada pessoa, fica fácil entender quantas você tomou. Mas dividir 36 garrafas por 17 pessoas não é conta simples (36!), nem justa com aqueles que se contentaram com menos e invariavelmente se depararam com os comentários do tipo: “se não aguenta bebe leite!”

A discussão cultural vem a reboque do ponto-cego da discussão sobre a lei. Qual a quantidade certa? Os atuais 0,2 ou os antigos 0,6? Na verdade, não importa. A menos que eu seja control-freak o suficiente pra contar quantos copos de cerveja tomo por hora afim de, no fim da jornada alcóolica deduzir, de acordo com minha altura e peso, se posso ou não dirigir.

A tolerância zero não é mais do que um reflexo do nosso jeito de usar o álcool. Se alhures pode ser mais simples medir as quantidades individuais, ou transformá-las em índices simples de cálculo (2 long-necks ou um copo de uísque), aqui não dá pra fazer isso. Porque para nós, a graça do álcool está no compartilhamento e na gradativa mudança coletiva dos que compartilham o momento; não no consumo individual, para prazer próprio.

Ao contrário do que andam dizendo por aí, a nova lei não é abusiva. Só reflete alguns anos de aprendizado em leis que pegam ou que não pegam no Brasil. Porque o medo é, sim, quando bem utilizado, uma forma lícita de se coibir abusos. Foi assim com o Cinto de Segurança, na entrada do novo código de trânsito. Chiamos todos, mas pegou ao ponto de acharmos estranhos ver alguém em um carro sem. Claro que faltam ajustes, como em todas as leis. Mas posso lançar outras perguntas: por que são as leis que têm que mudar sempre? Sempre o comportamento da polícia, da justiça, nunca o da população? Não precisa ir longe pra entender que a descrição cultural 3 parágrafos acima ilustra o conceito sempre presente de “sair pra beber” - uma marca da juventude brasileira, mas que não tem nada de nova no nosso comportamento.

Voltar atrás na decisão de apertar os cintos também no álcool será pior que reaprender alguns hábitos sociais.

eu penso e eles escrevem:

identificação biométrica

Ricardo Moraleida June 17th, 2008

copiado integralmente do site do TSE:

De 3 de março a 1º de abril, quase 50 mil eleitores serão cadastrados naquele que deve se tornar um dos mais avançados e precisos bancos de dados do planeta. Por meio desse sistema, o País terá não só a votação mais informatizada como também a mais segura, já que não haverá dúvidas quanto à identidade de cada eleitor.

A expectativa é a de que, em dez anos, todos os estados do País tenham urnas com leitores biométricos.

fonte: http://www.tse.gov.br/downloads/biometria/index.htm

No ano passado, 25 mil urnas, a um custo de 890 dólares cada, foram adquiridas com o novo sistema - original de fábrica - de leitura biométrica. A quantidade é suficiente para todas as zonas eleitorais de Santa Catarina, Mato Grosso do Sul e Rondônia. No entanto, como estão em fase de testes, a leitura biométrica só será feita em um dos municípios de cada estado.

fonte: http://www.tse.gov.br/downloads/biometria/hora_voto.htm

Matemática elementar:

  • 25 mil urnas compradas = US$ 22.250.000.
  • 3 municípios = US$ 7.416.666 por município.
  • 50 mil eleitores = US$ 445.000 por voto.

Viu? é melhor fazer seu voto valer a pena… Ainda mais se você votar em Fátima do Sul - MS, Colorado D’Oeste - RO ou São João Batista - SC

O bom, o mau e o feio. ACM e a opinião pública

Ricardo Moraleida August 6th, 2007

Sou só eu ou você também acha estranho uma figura polêmica como Antônio Carlos Magalhães ser tão odiada no seu meio político e tão amada na sua terra natal?

Não sou uma pessoa indicada para falar da história do homem, que conheço muito pouco, mas que sempre me intrigou por essa dualidade. Ao mesmo tempo em que somos bombardeados com notícias de que ele era um cara duramente mau, trapaceiro, corrupto, adepto do coronelismo e da máxima “os fins justificam os meios”, somos também aturdidos pela notícia de que nada menos do que 15 mil pessoas compareceram ao velório do homem, portando faixas, fotografias e panos pretos em indicação de luto.

Como é possível ser tão bom e tão mau ao mesmo tempo? Sabe-se sim que seria ingenuidade demais julgar ACM como um “político qualquer”. Essa história tem muitas facetas. Quem era o bom, o mau e o feio em toda essa história?

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