Archive for the 'comunicação' Category

uau! a genialidade me surpreende mais uma vez…

Ricardo Moraleida February 12th, 2007

semana passada postei aqui aquele vídeo bacana sobre web 2.0

hoje, acabo de ler no caiocesar.cc/blog sobre o mojiti, uma ferramentinha muito legal pra colocar comentários dos próprios usuários nos vídeos postados no youtube… legal né?

veja como ficou (ou como está até agora) o vídeo comentado:

http://mojiti.com/kan/2024/3313

Um cadáver ouve rádio?

Ricardo Moraleida February 11th, 2007

Na última sexta-feira, após uma semana quente falando sobre aquele crime bárbaro ocorrido no Rio de Janeiro, a rádio Band News FM se saiu com uma sacada genial para uma participação maciça e simples dos ouvintes: No começo da manhã, mandou suas redações em Porto Alegre, Curitiba, São Paulo, Belo Horizonte, Rio de Janeiro e Salvador fazerem uma ronda de carro pelas cidades percorrendo trechos entre 13 e 20km e contando com quantas viaturas da polícia cruzavam no caminho. Enquanto isso, convidava os ouvintes a fazerem a mesma contagem em seus trajetos durante o dia.

O resultado foi no mínimo assustador. Em 74km percorridos pelas redações em 6 das maiores cidades do país foram encontradas nada mais do que 3 viaturas de polícia, uma delas em Belo Horizonte, na região de Venda Nova. Todas as rondas foram feitas pela manhã, entre 7h e 8h e a rádio afirmava que estava recebendo centenas de e-mails e telefonemas de ouvintes, todos relatando a mesma condição de abandono da população pela polícia.

Pois bem. Eu só fiquei sabendo disso quando saí do escritório, às 17h e ouvi no rádio do carro a notícia e todo o tom desolador do jornalista Luiz Megale, sem música de fundo. Gostei da idéia e, já que ia ter um incomum e longo caminho pela frente, resolvi fazer a minha contagem também.

Resultado: durante cerca de 3h e através de 33km percorridos entre as regionais Barreiro, Centro-sul, Nordeste e Pampulha (veja mapa) eu cruzei com nada menos do que:

4 viaturas da Polícia Civil;
6 viaturas da Polícia Militar;
2 viaturas da Guarda Civil Metropolitana; e
2 viaturas da Polícia Rodoviária Federal, totalizando 14 viaturas de polícia, sem contar mais umas 7 ou 8 que estavam estacionadas em frente à delegacia do Terminal JK.

Só me pergunto quais as razões da diferença de contagem entre 8h e 17h…

ps.: o título do post é uma homenagem a um dos primeiros livros que li na vida e do qual provavelmente nunca me esquecerei. Um Cadáver Ouve Rádio, do escritor Marcos Rey, publicado pela Editora Ática na sua imortal “Coleção Vagalume”. Além de Um Cadáver Ouve Rádio, li também outros 10 livros dele na minha adolescência…

Bloquinho :: o blog de papel

Ricardo Moraleida February 7th, 2007

já aviso antes, este é um post feito em um momento: “será que esse mundo presta”?

Eu devo ter chegado atrasado na discussão. Ainda não vi ninguém comentando a última mega-novidade da indústria brasileira de papéis. Em janeiro de 2007 (eu acho), a International Papel, indústria detentora da marca Chamex e Chamequinho lançou o produto que eu realmente chamaria com aquele maravilhoso slogan: “um novo conceito em blogs”.

Trata-se do “Bloquinho”, convenientemente apresentado com o slogan explicativo “o blog de papel do chamequinho”.

No ultra novo, revolucionário e moderno Bloquinho, as crianças poderão fazer tudo o que faziam em seus cadernos e agendas há centenas de anos: listinhas, recadinhos, carteirinhas, fotos, ilustrações e a lista continua… A grande, enorme, colossal vantagem é de que agora vem tudo num mesmo layout, do mesmo jeito de quem cria um blog e segue sempre com aquele tema padrão do blogger ou do wordpress…

Tudo bem, é uma promoção, mas é uma inversão de conceitos que realmente me assombrou. Trata-se de um produto que existiu primeiro no papel, depois na internet e depois voltou pro papel como se nunca tivesse estado lá. De certa forma, navegando pelo site, me deparei com alguns conceitos utilizados que me preocuparam. Pra mim, frases como:

“Chamequinho é o seu companheiro da escola, seu amigo de papel” ou “Com Chamequinho até o estudo fica mais divertido”

são um atentado à inteligência das nossas crianças. Somando isso ao fato de fingir para elas que aquilo que está sendo lançado é uma coisa nunca vista, sei lá. A princípio, quando vi a propaganda do Bloquinho na TV achei bobinha, inocente. Agora estou começando a achar uma coisa meio maquiavélica, feita para vender a crianças solitárias, moderninhas da moda e de já de cara indispostas com a escola.

Onde isso vai dar? Quem viver, verá… espero pacientemente o tempo me mostrar que eu ando errando essas previsões sombrias.

http://www.chamequinho.com.br/bloquinho/

Forçando a barra…

Ricardo Moraleida December 4th, 2006

Hoje à noite, na volta para casa, me peguei pensando em como a gente gosta de forçar a barra das coisas. Me veio, a princípio, como uma característica própria do brasileiro. No entanto, pelo meu total desconhecimento das culturas de outros países, não posso dizer assim que isso seja uma característica única nossa.

Mas se fosse, essa seria uma de que o brasileiro se ufanaria. Aliás, já o faz, mas por outro lado. O brasileiro é o dono do mundialmente famoso “jeitinho”, que uma vez me fez passar vergonha num evento internacional aqui em BH… caso para outro post.

O “forçar a barra” a que me refiro hoje é um pouco mais do que o uso do “jeitinho”. É toda uma categoria de comportamentos que envolvem usar desculpas para se passar por uma identidade que não se tem (ou se é), para ter uma atitude que não assumiria ou simplesmente para fugir da responsabilidade da aplicação do pensamento.

Exemplo nº1 ou: à la folie? pas du tout…

Ouço todos os dias a coluna “seus filhos” da Rosely Sayão na rádio Band News FM. Não por escolha, mas porque ela está na faixa de horário em que eu ouço a rádio (entre 6h30 e 7h35 da manhã, no trajeto casa/trabalho), e a coluna até que é muito boa. E na coluna de hoje ela falava sobre as viagens de comemoração de final do ensino médio e como essas viagens às vezes se tornam grandes pretextos para se “ir à forra”, “sair do normal” e “fazer besteira” com a desculpa de se livrar do “enorme peso” do Ensino Médio. —— Cá entre nós. Pode até ser que os alunos de escolas super-exigentes e de ponta precisem mesmo se despressurizar ao final da sua primeira jornada de 11 anos escolares. Mas será que é esse o caso dos nossos estudantes comuns do Ensino Médio? “Been there, done that”, diria o sábio. Compreendo, mas não concordo. Acho que a cultura poderia ser criada de forma diferente. Por que diabos a farra precisa ter a desculpa da despressurização? Só pra não carregarmos as culpas das maluquices cometidas? Isso, pra mim, é “forçar a barra”.

Exemplo nº2 ou: le malade imaginaire

A mesma Rosely dizia, há alguns dias, sobre o mito das crianças hiperativas. Sobre a diferença daquelas que realmente tem problemas clínicos diagnosticados como “hiperatividade” e aquelas que simplesmente fazem mais do que os que gostam de ficar o dia inteiro na frente da tv, do playstation ou do computador. O que me chamou a atenção nesse assunto era o exemplo da criança que ao ser chamada à atenção por estar fazendo bagunça, dizia: “não posso evitar, eu sou hiperativa”. —— Aprendeu desde cedo a “forçar a barra” para justificar seus atos. E assim acontecem com todas as coisas dessa chamada vida moderna: “não posso evitar, eu sou estressado / anoréxica / hipocondríaco / cleptomaníaco / etc”. Ora, não tapemos o sol com a peneira. Todas essas condições clínicas existem. Mas eu aposto meu salário contra o seu que menos da metade das pessoas que se declaram como tais são realmente portadoras das patologias em si.

Exemplo nº3 ou: la haine

Hoje mesmo, no mesmo ponto de ônibus que eu, estava um rapazinho que não passava dos 17 anos. Indumentária comum a qualquer adolescente e um grande sei-lá-o-que-de-pendurar-coisas no pescoço (parecido com esses cordões de crachás, mas beeem mais largo). Até aí, tudo bem… mas o negócio em volta do pescoço do rapaz tinha a nome de uma banda brasileira (o rappa?) e uma imitação do selinho de mau-comportamento que as bandas americanas adoram mostrar por aí. “Parental Advisory: Explicit Content”. —— Por alguns segundos, me perguntei que diabos aquele selo estadunidense (que pra mim é um grande símbolo de todo o falso-moralismo à là tradição/família/propriedade vivido nos EUA) tava fazendo no cordão de uma banda brasileira. Até que me bateu: se lá ele é usado como um simbolo de transgressão pelas bandas mal-comportadas, infelizmente, é natural que aqui ele seja copiado. Infelizmente porque a cópia simplesmente ignora o fato de que o Brasil não classifica suas músicas entre próprias e impróprias para as faixas etárias. Faz algo muito mais inteligente: deixa isso a cargo das famílias e pessoas com decisão de compra. Mas o brasileiro não. Força a barra pra se parecer com essa imbecilidade importada. Se a moda pega…

Exemplo nº4 ou: le placard

Hoje ainda ouvi no rádio um ótimo programa sobre o mercado publicitário que poderia muito bem ser chamado de “Comercial e Cia”. Mas os produtores quiseram que se chamasse “Comercial e Cia on radio“. Tá. Pra quê mesmo? Antes que me joguem pedras, eu sou o primeiro a defender alguns estrangeirismos que não tem ou simplesmente não precisam de tradução (empowerment, accountability, mouse, fax, marketing, etc), mas qual o objetivo de se trocar o “no rádio” por um pedante “on radio“? Ficar chique? Isso, pra mim, é forçar a barra. Como eu já disse, o programa é ótimo, mas tem um quadro chamado “Advertising Brasil”. Pelas barbas do profeta. Não podia ser “Propaganda Brasil”, “Publicidade Brasil”, “Marketing Brasil”?. —— Os publicitários, tão descolados, podiam passar sem essa, não? Se bem que são eles que criam aquelas aberrações do tipo: “é muuuuuuito fanta” ou “schrubbles” ou “fique bamboochaa”. I rest my case.

Forcei a barra? Talvez… mas é porque o errado sou eu… o BBB7 vem aí…

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