Quem tem medo do lobo-mau?
Ricardo Moraleida July 22nd, 2007
Em meus 23 anos, 18 deles morando em uma cidade com 3 milhões de outras pessoas, me recordo de ter tido um boné furtado aos 11 anos, ter um relógio roubado aos 13, e ter sido abordado por um garoto que pedia meus vales-transporte, aos 20. Na última sexta-feira, havia 2 iPods - o grande símbolo que para uns divide os amantes da música entre “ricos” e “pobres” - ligados e à vista dentro do ônibus na volta para casa, em pleno horário de pico. Os donos ouviam suas músicas tranqüilamente, desceram calmamente em seus respectivos pontos e continuaram suas vidas, já que nada havia acontecido. O que aconteceu de errado?
Acredito que a resposta certa seja: nada.
Será que precisamos mesmo viver com esse medo crônico que nos faz viver escondidos atrás dos vidros e das bolsas, andar rápido e atentos para não sermos seguidos? Será que já não nos tornamos reféns do nosso próprio medo?
Essa semana essa questão me voltou à mente com algumas nuances que há algum tempo não me atormentavam, talvez desde que tomei a decisão de não ser mais esse refém. Note-se que não falo aqui de ser “descuidado”, e sim, de não viver atormentado pelo medo, não basear minhas atitudes no que “pode” acontecer “se” alguém um dia quiser um objeto meu.
Acho que tenho vivido melhor assim. Mais tranqüilo, com mais disposição para fazer bom uso do meu tempo e mais feliz. Mas sei que tenho me arriscado. Quando escolhi não viver com medo, escolhi, sempre que possível, correr um risco que talvez seja maior, mas muito mais valioso: confiar nas pessoas como eu gostaria que elas confiassem em mim.
vc ainda pode voltar pra França e viver tranquilo pelas bandas de ca! a diferença é que aqui o iPod nao representa diferença de classes: todos têm!