poesia comparada (1)

Ricardo Moraleida February 2nd, 2007

Convite de Casamento

Gian e Giovani

A gente morou e cresceu
Na mesma rua
Como se fosse o sol e a lua
Dividindo o mesmo céu
Eu a vi desabrochar
Ser desejada
Uma jóia cobiçada
O mais lindo dos troféus
Eu fui o seu guardião
Eu fui seu anjo amigo
Mas não sabia
Que comigo
Por ela carregava
Uma paixão
Eu a vi se aconchegar
Em outros braços
E sair contando os passos
Me sentindo tão
Sozinho
No corpo o sabor amargo do ciúme
A gente quando não se assume
Fica chorando sem carinho

O tempo passou e eu sofri calado
Não deu pra tirar ela do pensamento
Eu ia dizer que estava apaixonado
Recebi o convite do seu casamento
Com letras douradas num papel bonito
Chorei de emoção quando acabei de ler
Num cantinho rabiscado no verso
Ela disse meu amor eu confesso
Estou casando mais o grande amor
Da minha vida é você

Drama Seco

Carlos Drummond de Andrade

O noivo desmanchou o casamento.
Que será da noiva – toma hábito
ou se consagra à renda de bilro para sempre?
Tranca-se ao jeito das viúvas trágicas.
O noivo fica noivo novamente,
de outra moça, em outra rua.
A noiva antiga que dirá
em seu quartinho negro, à hora em que…?
À hora em que
passar a pé
o noivo com
seu cortejo, braço dado a braço dado,
rumo da noiva nova,
diz-que da antiga casa de noivado
a água descerá, em punição.
Lá vai o cortejo
todo ressabiado,
terno noivo
terno novo
preto de medo,
vestido novo
branco de medo,
olho no medo
no céu da casa.
Todas as janelas secamente fechadas,
sequer uma lágrima
pinga na lapela do noivo.

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One Response to “poesia comparada (1)”

  1. […] e o primeiro? Poesia comparada (1) […]

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