do trabalho e da embriaguez
Ricardo Moraleida September 27th, 2006

Há alguns dias eu venho adiando postar aqui essa minha crítica ao mundo “corporativo”, mas depois de alguns acontecimentos nas últimas 2 semanas, ficou inevitável falar sobre isso. Na verdade nem sei se é sobre o trabalho ou sobre as reações que temos e a forma como nos envolvemos com ele.
Acho que nem todo mundo é assim, mas eu tenho uma relação muito passional com o meu trabalho. É como se fosse um filho (ou 800?) que estou criando, e à medida em que o tempo passa, vai ficando mais inteligente, mais esperto, caminhando com as próprias pernas até o dia em que eu não vou ser mais necessário ali e vou partir pra outro lugar onde eu seja útil. Esse processo hoje está contando 2 anos, 7 meses e 10 dias.
Enquanto esse dia não chega, eu sofro. Sofro mesmo. Como sofri hoje, antes, durante e depois daquela reunião de 2h30 de duração que parecia ameaçar jogar por terra um trabalho de 6 meses - simplesmente porque “algo” deu errado. E nem foi culpa minha, mas o temperamento impulsivo me faz querer assumi-la e corrigi-la - e isso faz com que eu sofra ainda mais. Sofro vendo quem deveria sofrer simplesmente “deixando passar” e vou eu lá, defensor das menores causas, recuperar o tempo perdido.
Mas o pior mesmo é que eu sofro também com as coisas que dão certo. É que sempre que chega alguma coisa nova pra desenvolver, eu já a vejo no estrelato: “esse quadro de avisos vai ganhar o prêmio de revelação mundial da comunicação empresarial moderna”. Quando isso não acontece, eu sofro, alheio ao fato de ter recebido média de 98% na auditoria geral.
Deveria? Talvez não. Mas é assim né? Meio masoquista. Cada um com a cachaça que escolhe…
I totally identify with that.

Some call it perfectionism.